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Especiais Meio Ambiente

SOMOS O QUE AMAMOS, MAS QUEM AMA: PRESERVA, PROTEGE, CUIDA E DEFENDE

Uma análise da Carta Aberta dos candidatos Edvaldo e Márcia

02/10/2021 00h00 Atualizada há 3 meses
Por: Camilo Prata Fonte: Guaíra em Pauta
Os candidatos a prefeito e vice, respectivamente, Edvaldo Morais e Márcia Matsumoto
Os candidatos a prefeito e vice, respectivamente, Edvaldo Morais e Márcia Matsumoto
A Carta Aberta de Edvaldo Morais e Márcia Matsumoto à população escolheu o caminho das identificações e referências - “Nós somos o que amamos”- para se definirem. Recorreram à memória de ex-prefeitos dos últimos 50 anos da administração pública, inclusive o último prefeito: o cassado, o afastado, o investigado e o denunciado no Ministério Público de São Paulo. Identificaram o ser com o fazer: “não sabendo que era impossível, foi lá e fez”. Apontaram os feitos do mandato interino sob a luz do slogan “Fazer muito em pouco tempo”. E, por fim, recomendaram: “diga sim à “Florada dos Ipês”, capazes de resistir ao mais implacável dos climas e mostrar que a beleza da vida está no que amamos”.
Cada campanha tem um ponto de partida e isso deve ser respeitado. Parar e refletir no coletivo “o que amamos” e “quem somos” é importante por um momento breve e inicial, no máximo uma “dinâmica de apresentação” em qualquer evento de capacitação que a maioria de nós já participou algum dia. Na governança pública é mais sensato questionar sobre “o que se faz com aquilo que amamos”? E, neste segundo momento, o roteiro da Carta Aberta dos candidatos não ousa adentrar. Nas legislações e estatutos existem quatro verbos sempre presentes: PRESERVAR, PROTEGER, CUIDAR E DEFENDER. Ou seja, compete à gestão pública a preservação, a proteção, o cuidado e a defesa daquilo que amamos ou daquilo que é caro ao bem comum.
Será que os candidatos, o marqueteiro e os apoiadores do 45 conseguem aprofundar este tema? Um bom debate começa com memórias - neste caso de curto prazo - e perguntas. Vejamos:
1) O apreço pelo Ipê Amarelo na propaganda do 45 e a baixa adesão – para não dizer nenhuma - da imagem do ipê amarelo nas redes sociais como símbolo da campanha por parte dos apoiadores do grupo político. Não teria que representar um coletivo ou unidade – um “nós”- ou “o que amamos”? Estaria o marqueteiro do 45 com o feeling comprometido?
2) O apreço pelo Ipê Amarelo na propaganda do 45 e o desinteresse das escolas municipais em pegarem árvores no Viveiro Municipal para realizarem atividades no Dia da Árvore/Início Primavera na semana do último dia 21. Uma escola estadual e três escolas particulares solicitaram as mudas de árvores, somando 564 unidades.
A identificação do candidato do 45 e sua neta com o Ipê Amarelo em publicidade de campanha é de gosto inquestionável. E, sem dúvida, é sempre louvável uma família que desperta nos seus descendentes o amor à natureza.
Mas, enquanto homem público que pleiteia a chefia do Executivo de forma definitiva, sendo atualmente responsável pelo Sistema de Educação do município junto a responsável pela pasta, tem feito esforços para implementar o conhecimento e as práticas de preservação, proteção, cuidado e defesa das árvores e meio ambiente como atividades nas unidades escolares?
3) O apreço pelo Ipê Amarelo na propaganda do 45 e o descaso com as árvores do Parque Maracá: são brocas, cupins e ervas de passarinho. Sem falar nas podas equivocadas, representadas claramente nas flamboyants da Rotatória Salim Salomão, entre a rua 10 e avenida 23.
4) O apreço pelo Ipê Amarelo na propaganda do 45 nunca alcançará a gestão do setores de obras e meio ambiente no município? Por que as espécies de árvores sangra d'água, embaúba e canelinha não merecem o mesmo amor e consideração, a mesma preservação, proteção, cuidado e defesa?
No início da semana, uma obra foi anunciada no bairro Reynaldo Stein, trata-se da ponte que fará a interligação com o bairro Jardim Eldorado. Encaminharam fotos e cópia de denúncia à Polícia Ambiental à página Guaíra em Pauta sobre a derrubada de duas sangras d’água, duas embaúbas e uma canelinha. Está em discussão a data de uma licença na CETESB que é da última quarta-feira, 29, sendo que as cinco árvores já estavam suprimidas na última segunda-feira, 27.
A depender das partes envolvidas, é uma polêmica que não deve terminar amanhã com o resultado das eleições. A causa ambiental agradece.
5) Por falar em causa ambiental, para além da preservação, proteção, cuidado e defesa da vida das árvores, temos outras espécies de flora, fauna e a água. Recentemente, Guaíra em Pauta também recebeu denúncia que diz respeito ao funcionamento irregular da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), sem a devida proteção do lençol freático com uma manta impermeabilizante. Indica que toda a gestão do meio ambiente é um descaso só: não preserva, desprotege, descuida e não defende. Claro, tendo assinatura embaixo do prefeito interino que gosta de ipês amarelos. E ainda bem que gosta! Imagina se não gostasse? Mas não tem demonstrado zelo em suas responsabilidades públicas com o meio ambiente, à despeito dos seus gostos que, naturalmente, não passam de preferências particulares e de pouco ou nenhum efeito na esfera pública.
Em um processo eleitoral sadio, discutem-se os problemas, os perfis dos candidatos e as soluções para a cidade. Mas, quando o marketing/marqueteiro é maior que o candidato: não há o que fazer! As prioridades mudam para, no mínimo e ao final, extrair um pouco sobre o perfil dos candidatos por traz dos símbolos utilizados pelo seu marqueteiro.
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