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Economia

01/11/2017 ás 17h13 - atualizada em 01/11/2017 ás 21h26

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Maria Mandú

Guaíra / SP

2017 tem sido um ano de fortes investidas contra o funcionalismo
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2017 tem sido um ano de fortes investidas contra o funcionalismo
Antonio Tuccílio, presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

O ano de 2017 tem sido de fortes investidas contra o funcionalismo, que prejudicam os trabalhadores e, consequentemente, a população, que depende dos nossos serviços. Uma delas: a aprovação da terceirização irrestrita em meados de março.


 


O texto do projeto sancionado pelo presidente Michel Temer (PMDB) possibilita que atividades-meio e atividades-fim de órgãos públicos possam ser desempenhadas por trabalhadores terceirizados.  Seria o início do fim dos concursos públicos? Pode até não ser, mas no mínimo haverá forte diminuição nos contingentes dos servidores.


 


Essa realidade é extremamente negativa. Afinal, os concursos públicos avaliam o conhecimento dos candidatos, e apenas os mais capacitados são aprovados. Ao optar por trabalho terceirizado, o setor público perde em conhecimento. Além disso, segundo documento publicado em 2014 pelo DIEESE (“Terceirização e Desenvolvimento: uma conta que não fecha”), o trabalhador terceirizado recebe salário 24% menor.


 


Outro destaque negativo do ano, e que ganhou visibilidade nacional, é o descaso do governo do Rio de Janeiro com os seus servidores. Mais de 15 mil servidores fluminenses, ativos e inativos, seguem sem perspectiva de receber seus saláriosatrasados há meses. Vários sequer receberam os pagamentos do 13º de 2016. Há profissionais de educação que não receberam os salários de setembro. Os professores universitários estavam em greve no começo desse mês também por não terem sido pagos.


 


O servidor público paga a conta pelos anos de péssima gestão do governo do Rio de Janeiro e por toda corrupção envolvendo o ex-governador Sérgio Cabral.


 


Precatórios alimentares representam outro problema. Os estados e prefeituras fazem de tudo para não pagar o que devem aos servidores, mesmo depois de o Congresso Nacional ter determinado o pagamento dos precatórios até 2020. Não nos surpreendeu quando o senador José Serra (PSBD/SP) tentou estender esse prazo em mais 10 anos – felizmente, sua proposta caiu após intenso trabalho realizado pela CNSP com o apoio do deputado federal Arnaldo Faria de Sá. O prazo até foi estendido, mas em três improrrogáveis.


 


Para finalizar, neste ano foi anunciado um pacote de medidas que adia os reajustes salariais de 2018 para 2019 em diversas categorias e possibilita o corte de benefícios básicos como alimentação, transporte e assistência médica. A desculpa do governo é a necessidade de economizar, mas se houvesse real interesse em economizar o governo deveria cortar gastos com publicidade, carros, viagens, além de reduzir o número de Ministérios. Já o Judiciário poderia cortar um dos dois meses de férias e o auxílio moradia concedido até para aqueles que têm residência na cidade de trabalho. Todos esses custos, juntos, custaram R$ 4 bilhões aos cofres públicos nos últimos três anos. Isso sem contar  outros penduricalhos que ultrapassam o teto salarial.


 


Por esses e outros motivos o servidor público brasileiro não tem muito deve pedir mais respeito, empenho e honestidade do poder público.

FONTE: Antonio Tuccílio, presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

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