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Especiais Tudo que vivi

ENTRE AS MUITAS VOLTAS QUE A VIDA DÁ

Há quem ouse dizer que a vida não é um conto de fadas, mas cada mulher ao nascer é dona do seu próprio destino e escreve a sua própria história

08/03/2021 16h20 Atualizada há 1 ano
Por: Maria Mandú
Na foto o casal Silmara e Helena no início do relacionamento, como mostra a data impressa na foto
Na foto o casal Silmara e Helena no início do relacionamento, como mostra a data impressa na foto

Todas as mulheres nascem princesas, e como tais, sonham e ensaiam durante toda a sua infância para a chegada do momento que será levada pelo príncipe encantado em seu belo cavalo branco.

Bobagem alimentar esses sonhos? De forma alguma; a vida é feita de sonhos e esses enquanto objetivo fazem toda a diferença entre o sucesso e o fracasso.

Mulher é aquele ser que sonha sim, com o príncipe encantado com o casamento de conto de fadas, com a família perfeita e até mesmo com o castelo, mas por vezes, muitas aliás, encontra empecilhos, pedras e até dragões durante a sua caminhada.

Grande é a satisfação quando se pisa nos empecilhos, chutasse as pedras e matasse o dragão, toda mulher faz isso, todos os dias e olha para trás com a serenidade e certeza de que fez o seu melhor e venceu.

Algumas mulheres passam por algumas situações que jamais imaginou e acabam “arrastando correntes” por alguns longos anos... esse foi meu caso.

Não estou aqui para falar mal do meu primeiro casamento ou algo do tipo, mas sim, para contar um pouco do que vivi e quem sabe, dessa forma ajudar e incentivar mulheres que estejam passando por situação parecida, e afirmar com a certeza de quem venceu os obstáculos que é possível se libertar e seguir em frente de cabeça erguida.

Bom vamos lá: conheci meu ex-marido no início de 1994 e no meio do mesmo ano já havíamos “juntado as escovas de dentes”, pois eu havia engravidado. Na época eu tinha 18 anos e ele 28, sendo que era divorciado e tinha uma filha de 7 anos.

Enquanto namorados tudo correu na mais completa normalidade, saíamos para o cinema, barzinho e outros programinhas corriqueiros, onde no fim da noite ele me deixava em casa e seguia para a dele.

Logo no início da nossa experiência como marido e mulher, grande foi a minha surpresa ao descobrir que ele bebia, e não eram as simples cervejinhas normais como todos os rapazes, mas sim, fazia uso de pinga, costume que foi mantido mesmo durante o namoro, mas que ele mascarava, pois bebia somente depois de nossos encontros.

Era tarde demais, eu já grávida, abri mão dos meus estudos, bem como da convivência com os meus familiares, pois estava disposta a dar novos rumos a minha vida e construir uma família feliz.

Os comportamentos violentos se apresentaram quase que imediatamente, bastava um gole de pinga para ele se transformar... literalmente se transformar; no princípio a agressividade se demonstrava em palavras e atitudes grosseiras o que mais a frente evoluiu para as agressões físicas.

Tivemos três filhos praticamente seguidos: Claudio 1995, Camila 1997 e Fernanda 1999, pois sempre tive problemas com o uso de métodos anticonceptivos o que dificultou que evitasse as gravidezes seguidas.

Desde sempre o meu maior desejo e os meus planos giravam em uma forma de sair daquela situação e poder cuidar de mim e de meus filhos; com a família a principio eu não falava pois sentia vergonha, passei anos assim e somente muito tempo depois contei para eles o que estava acontecendo.

Foram 10 anos de casamento... 10 anos de agressões físicas... 10 anos de agressões psicológicas... uma década de sofrimento.

No meu entender tudo aquilo que vivíamos não era bom para ninguém: para ele, para mim ou mesmo para as crianças. Ele quando estava sem a bebida sempre foi um homem bom, pois nunca deixou faltar nada em casa, era responsável e até divertido, mas raros eram esses momentos, já que com o passar dos anos o uso da bebida alcoólica se intensificava cada vez mais.

Em Julho de 2004 eu tomei a decisão e a atitude que deveria ter sido tomada há muito tempo, mas que até então havia me faltado coragem: a separação definitiva. Minhas filhas foram embora comigo e o menino que era mais velho quis ficar com o pai.

Foi fácil? Não, de forma alguma; muitas noites sem dormir preocupada em prover as necessidades das meninas e com a educação delas, já que eu passava o dia inteiro fora para trabalhar e sustentar a casa.

Mas é como eu disse no começo: a princesa aqui pisou nos empecilhos, chutou as pedras, matou o dragão e construiu outro castelo, hoje eu sou rainha... rainha e dona da minha vida.

Em 2007 conheci uma pessoa maravilhosa chamada Silmara... sim uma mulher, que trouxe de volta para as nossas vidas o brilho e o encanto, e ela, como não poderia deixar de ser, veio fazer parte do nosso castelo.

Me ajudou a terminar de criar as meninas e participou comigo do nascimento de nossos netos; formamos a tão sonhada família lá do começo da história, com tropeços e dificuldades sim, porém, existe tanto amor, respeito e companheirismo, que juntas tocamos nossa vida da melhor maneira possível.

Sobre as muitas voltas que a vida dá, acredito ser importante mencionar que o meu primeiro marido hoje está muito doente, pagando o preço de toda a cachaça que ele consumiu durante uma vida inteira e, atualmente mora conosco aqui em Guaíra, onde estamos cuidando da saúde dele, dando toda a assistência que nos é possível para que ele tenha uma qualidade de vida plausível.

Situação estranha? Não! Cada um só pode oferecer ao outro aquilo que tem dentro do coração e nós temos muito amor para dar.

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Sobre Coluna da Mandú
Maria Mandú é jornalista, publicitária e trabalha com Marketing Digital. Apaixonada por Plantas e Bichos, divide seu tempo livre entre cuidar das dádivas da natureza e se dedicar a leitura de vários livros, outra paixão que adquiriu ainda criança. Atualmente está engajada em várias causas e projetos.
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