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Política Legitimidade

O PRÓXIMO PREFEITO INTERINO

Por: Camilo Junqueira Prata

19/12/2020 21h46 Atualizada há 7 meses
Por: Camilo Prata
O PRÓXIMO PREFEITO INTERINO

A penúltima vez que Guaíra precisou que um presidente da Câmara assumisse o comando da Prefeitura foi em novembro de 2002. José Carlos Augusto (DEM), então presidente do legislativo guairense, tornou-se prefeito interino com o falecimento do Dr. Orlando Garcia Junqueira. Como este foi eleito e diplomado vice-prefeito, a lacuna no poder a ser preenchida competia ao presidente da Câmara.

Para os mais jovens, de idade ou de moradia na cidade, Dr Orlando tornou-se prefeito interino logo após a diplomação (meados dezembro), na posse de 01/01/2001, devido ao agravamento do estado de saúde do prefeito eleito e diplomado José Pugliesi (popularmente conhecido como Minininho). Com o óbito de Minininho, sem sequer assumir o cargo, Dr Orlando continuou de forma definitiva. Tempos depois, Dr Orlando foi acometido pelo mesmo problema de saúde do Minininho (câncer), o que comprometeu o término do mandato, não chegando a concluir metade do mesmo.

Zé Carlos (DEM) tomou posse como prefeito interino, por exatos 90 dias, nos quais já estava incluída a previsão de nova eleição. Antes disso, esteve por 10 meses e quase 10 dias à frente da Câmara Municipal. Foi eleito para comandar o Legislativo em dezembro de 2001. Ou seja, não se sabia que ele se tornaria prefeito, apesar do Dr Orlando já estar em tratamento de saúde.

Tais acontecimentos foram fatalidades que impactaram a cidade. Foi um período de dor e comoção popular. Hoje, em decorrência do afastamento do Zé Eduardo (PSDB) e Renato Moreira (CIDADANIA), estamos com um prefeito interino novamente, desde 09/12, o José Reinaldo do Santos Júnior (DEM). E já estamos próximos da posse de um novo prefeito interino a partir de 01/01/2021. Será que o cenário é o mesmo? Será que, agora, o cenário é tomado de comoção ou de indignação popular?

Tenho certeza que não é hora de comoção popular, como há quase 20 anos, a menos entre os familiares dos investigados. É momento de mobilização, dentro dos limites impostos pela pandemia. Mas, mobilizar contra o que? Não está tudo nas mãos da Justiça? Ela não vai resolver tudo e condenar quem tiver que condenar? Sim e Não. Não, a sociedade civil pode fazer e muito. A começar por tentar influenciar os futuros vereadores sobre quem deve ser o cobiçado “prefeito interino”.

O momento é especial. Primeiro, porque o novo prefeito interino assumirá as funções por “tempo indeterminado”, diferentemente dos 90 dias do Zé Carlos Augusto (DEM), incluindo a eleição prevista. Além de especial, a cidade passa por um momento delicado, e os agentes políticos precisam estar preparados ou se prepararem para ouvir mais a população, estarem a disposição. A eleição para a presidência da Câmara será para a escolha do presidente da Câmara que, logo em seguida, será empossado como “prefeito interino”. Não soa estranho? Sim, mas é o que está na lei! Muito diferente, também, da situação no passado onde o Zé Carlos (DEM) que cumpriu quase seu mandato inteiro na presidência da Câmara, além de experiências anteriores no legislativo.

Não é de hoje que possibilidades e nomes circulam nas ruas e nas redes sociais de vereadores eleitos que podem se tornar presidente da Câmara e, de imediato, prefeito interino. Mesmo antes do GAECO chegar em Guaíra e afastar prefeito e vice das suas funções, o interesse era latente devido à cassação da candidatura de Zé Eduardo (PSDB) e Renato (CIDADANIA) na justiça eleitoral local. Assim sendo, passou-se a especular o nome para “um prefeito interino”. Esta busca por um nome foi fomentada por parte da população mais politizada. No entanto, mais fortemente, pelo grupo político de Zé Eduardo (PSDB) e Renato (CIDADANIA), que continuará possuindo maioria na próxima Câmara Municipal, ainda que - longe dos bastidores - sempre deram como certa a posse da chapa mais votada em 15/11.

Nesta parcela da população, que é adepta de discussão política nas redes sociais, um nome foi dado como certo e automático: Anderson Enfermeiro (PSDB), eleito com 966 votos. Quem faz a defesa do seu nome, aponta que o número de votos demonstra maior peso ou representatividade perante a população. Do ponto de vista legal, nada lhe é assegurado, mas em política tudo é questão para se conversar e ponderar a partir de conjunturas. A manifestação popular pode e deve existir e agregar neste momento de fragilidade política. Quem aposta no número de votos na garantia de maior legitimidade, deveria encontrar meios dos vereadores eleitos saberem suas opiniões. As redes sociais estão aí para isso.

Nas redes sociais, também, foi cogitado o nome do vereador Caio Augusto (DEM), eleito com 603 votos, 5º colocado. No entanto, após a Operação Hamelin do GAECO, em 09/12, onde seu pai é investigado em contratos da limpeza pública (empresa Seleta), o nome do jovem vereador deixou de ser especulado.

Ainda sobre legitimidade, dois novos vereadores destacam pela experiência e condição de ex-vereadores e ex-vice-prefeitos: Denir Ferreira (PSB), 768 votos, 2º colocado; e Edvaldo de Morais (PSDB), 419 votos, 9º colocado. No entanto, nos momentos atuais em que Guaíra passa, temos que pensar além do número de votos e experiência, mas, também, de qual partido provém, qual o vínculo com o prefeito e vice afastados e sobre seus mandatos anteriores. A cada um cabe tirar suas conclusões, reunir amigos e, se for o caso, iniciar sua mini campanha. Ainda que seja para o “menos pior” levar ou “contra o mal maior”.

Em outra via, paralela, Zé Eduardo (PSDB) tenta sustentar a imagem de “bom moço” com menos arranhões possíveis. Sim, não se engane, é possível: existem eleitores do 45 que conseguem criar histórias fantásticas para explicar tudo o que se passou e passa. No entanto, seu guru Conrado Vitali tem escolhido o pior e mais infantil dos caminhos: colocar toda a responsabilidade dos fatos no Renato Moreira e no Cidadania, seu partido. O Zé Eduardo (PSDB) tem todo o direito de querer sair bem dessa. Qualquer um assim o faria ou ao menos tentaria. Mas, de forma mais honrosa, colaborando com as investigações e fazendo uso da sua liderança perante o seu grupo político, pediria que os vereadores do PSDB, CIDADANIA E DEM retirassem suas candidaturas à presidência da Câmara, a bem de maior lisura no processo e que os guairenses tivessem a garantia de que o futuro prefeito interino colabore com as investigações. Se assim fosse, restariam poucos nomes. Dos 11 eleitos sobrariam 4 vereadores da oposição, do mais ao menos votado, a saber: Denir Ferreira (PSB), com 768 votos; Renan Lopes (MDB), com 744 votos; José Neto Pugliesi (MDB), com 677 votos; e Chiquinho (PMN), com 290 votos.

Para concluir, é importante alertar os leitores e os vereadores eleitos mais ambiciosos que: ser prefeito interino não é garantia de sucesso na próxima eleição, seja ela quando for. Naquela ocasião, Zé Carlos Augusto (DEM) foi beneficiado, de certa forma, pela comoção da cidade em torno do falecimento de duas lideranças. E, naquele momento, a população entendeu que um membro (herdeiro político de Minininho) da recém criada coligação União e Progresso junto à viúva do Dr Orlando, Badia Jabbour Junqueira, deveriam dar continuidade ao plano de governo do grupo político. Hoje, a situação é bem diferente. Não se trata de comoção, mas de indignação que caminha para a mobilização. Para se pensar.

 

Camilo Junqueira Prata, 37 anos, psicólogo social e ex-diretor de Assistência Social

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