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Economia

25/09/2019 ás 16h52

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Maria Mandú

Guaíra / SP

Demissões de pessoas com deficiência aumentam nos sete primeiros meses do ano
Cursos devem ser os principais aliados para qualificação profissional e inserção de PCDs no mercado de trabalho, segundo especialista
Demissões de pessoas com deficiência aumentam nos sete primeiros meses do ano

De acordo com os dados disponibilizados pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, por meio do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), no Brasil, mais de 9 mil Pessoas com Deficiência (PCDs) foram demitidas nos primeiros sete meses deste ano,quando comparado ao mesmo período em 2018.


De janeiro a julho de 2018, no Brasil, o total de demissões de PCDs foi de 61.584, já em 2019, o número subiu para 71.156. No estado de São Paulo, os desligamentos nos sete primeiros meses do ano passado somaram 19.901, já neste ano, o número saltou para 23.547.


Capacitação Profissional e Crise Econômica
Para a diretora-executiva do Instituto Ser+, instituição que atua na capacitação profissional de jovens em situação de vulnerabilidade social, Wandreza Bayona, a capacitação profissional representa uma das principais dificuldades para inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. "Mesmo quando o empregador contrata o PCD para cumprir a lei de cota obrigatória dentro da empresa, muitas vezes as competências daquele colaborador não estão alinhadas ao perfil que a companhia necessita. Ou seja, há vagas para contratações, mas não há mão-de-obra qualificada para manter aquele colaborador no cargo. Por isso, são necessários cursos que contribuam, de forma efetiva, para com a empregabilidade de jovens e adultos", conta.


A maioria das contratações de PCDs não são voltadas a cargos executivos dentro de empresas, mas sim aos operacionais. Segundo pesquisa conduzida pela consultoria de engajamento Santo Caos, em parceria com a empresa de recrutamento de vagas Catho, divulgada em setembro de 2019, menos de 10% de pessoas com deficiência ocupam cargos de liderança e 57% são admitidos para trabalhar como assistentes.


Para Wandreza, é ideal que as pessoas com deficiência tenham oportunidades de qualificação. "Nesse contexto, as organizações do terceiro setor desempenham um papel importante, viabilizando tal conjuntura para o público, seja por meio de projetos próprios, realizados junto ao setor público ou por meio de parcerias com o setor privado", diz.


Preconceito
De acordo com a pesquisa Diversidade e Descriminação no Ambiente de Trabalho, feita pela consultoria Talento Incluir e a recrutadora de candidatos Vagas.com, no ano de 2018, 65% de pessoas que disseram se sentir descriminadas ou excluídas em seu ambiente de trabalho possuem algum tipo de deficiência. Ainda de acordo com o levantamento, 60% dos profissionais de RH afirmam que a empresa onde trabalham não possui programas internos de inclusão.


Na opinião de Wandreza, ações internas de conscientização sobre a importância da diversidade auxiliam na mudança da cultura da empresa e, naturalmente, no convívio com o contratado. "A mudança de mindset é imprescindível. Cabe ao gestor desenvolver um bom diálogo com seus colaboradores sobre o assunto, além de aplicar ações sociais internas na empresa, constantemente", explica a especialista em projetos de inclusão social.


Sobre o Instituto Ser+:
O Instituto Ser + é uma organização sem fins lucrativos, criada em 2007 e tem como propósito desenvolver o potencial de jovens em vulnerabilidade social, com idades entre 15 e 24 anos, contribuindo com a sua formação integral, descoberta de talentos e conquista do primeiro emprego, por meio do programa "Jovem Aprendiz". Com metodologia própria e certificada pela Fundação Banco do Brasil, o Ser + é um certificador do Ministério do Trabalho para Lei de Aprendizagem. Mais de onze mil jovens já foram capacitados pelo Instituto e 75% desses ingressaram no mercado de trabalho. O Ser + desenvolve, ainda, programas de capacitação customizados, que podem explorar o contexto de diversidade de forma plural. Além disso, há também os programas de voluntariado em empresas, que já mobilizou mais de. Em 2014, a empresária Sofia Esteves, assumiu a presidência do Instituto, com o propósito devolver à sociedade tudo havia aprendido e conquistado, trabalhando por mais de 30 anos com o público jovem, estando à frente do Grupo Cia de Talentos.

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